Parece que a herança política, em Mato Grosso, não segue necessariamente o código genético. Odílio Balbinotti Filho, o nome escolhido para dar suporte financeiro e moral à empreitada de José Medeiros (PL) rumo ao Senado, resolveu traçar uma linha na areia: para ele, o MDB pode até ser aliado em outros cantos do país, mas em solo mato-grossense o partido é “adversário” declarado. A afirmação soa como um “vade retro” às articulações que tentam costurar uma chapa improvável unindo o bolsonarismo raiz de Medeiros ao carisma regional de Janaina Riva, provando que, no PL, a ordem é manter a pureza ideológica — mesmo que isso exija uma certa amnésia familiar.
A estranheza da declaração de Balbinotti Filho reside no fato de que o sobrenome que ele carrega já teve trânsito livre nos corredores mais influentes do MDB. Seu pai, Odílio Balbinotti (o veterano), foi deputado federal e filiado a sigla por 15 anos e chegou a ser o escolhido do então deputado federal Michel Temer para assumir o Ministério da Agricultura no governo Lula, em 2014.
Enquanto o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, tenta colocar “lenha na fogueira” e forçar uma união que garanta palanque para Janaina Riva, o grupo de Medeiros reage com o extintor de incêndio do pragmatismo. A rejeição de Balbinotti Filho a qualquer aliança com os “emdbistas” é o recado final para quem ainda sonhava com uma chapa de coalizão: no xadrez eleitoral de 2026, o PL prefere rodar sozinho a carregar o peso de um aliado que, no Cerrado, é visto como o principal obstáculo ao projeto de poder da direita. O recado está dado: no palanque de Medeiros, não há espaço para quem já dividiu o poder com a estrela vermelha.
