O Banco Master reportou ao Banco Central e aos órgãos de controle financeiro uma série de pagamentos realizados a figuras de destaque do cenário político e jurídico brasileiro. Na lista de beneficiários constam o ex-presidente da República, Michel Temer, o atual ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e os dirigentes do partido União Brasil, Antonio Rueda e ACM Neto.

De acordo com os dados declarados pela própria instituição financeira, os repasses foram justificados como contraprestação por serviços de consultoria jurídica, palestras e assessoramentos prestados por meio das empresas ou escritórios de cada um dos citados. No caso de Michel Temer, os valores estariam vinculados a análises de conjuntura e pareceres. Em relação a Ricardo Lewandowski, os pagamentos referem-se ao período em que o magistrado atuava na iniciativa privada, após sua aposentadoria do Supremo Tribunal Federal (STF) e antes de assumir o Ministério da Justiça.

A declaração desses valores faz parte dos protocolos de conformidade (compliance) que as instituições bancárias são obrigadas a seguir para garantir a transparência de suas operações e evitar conflitos de interesse. O documento detalha que Antonio Rueda e ACM Neto também receberam repasses por meio de empresas ligadas às suas atividades profissionais, fora do âmbito da gestão partidária direta.

Até o momento, o Banco Master e as assessorias dos envolvidos afirmam que todas as transações foram realizadas dentro da legalidade, com a devida prestação de serviços, emissão de notas fiscais e recolhimento de impostos. O registro desses pagamentos no sistema financeiro permite que os órgãos de fiscalização monitorem o fluxo de capital entre grupos econômicos e agentes que exercem ou exerceram influência na administração pública e no Judiciário brasileiro.