A incompetência técnica e a omissão na fiscalização de grandes contratos parecem ter se tornado a marca registrada da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra-MT). Em um novo capítulo que expõe o desarranjo gerencial do governo de Mato Grosso, o secretário Marcelo Oliveira veio a público esticar, mais uma vez, o cronograma de entrega das obras do Ônibus de Transporte Rápido (BRT) na Grande Cuiabá, empurrando a promessa de conclusão para dezembro. O adiamento, detalhado sob forte pressão em audiência pública na Assembleia Legislativa, escancara o fracasso de uma gestão que assumiu o comando do Estado prometendo eficiência, mas que sequer consegue finalizar uma estrutura cuja novela física e financeira se arrasta desde o período anterior à Copa do Mundo de 2014.

A engenharia do atraso na Sinfra atua como uma verdadeira cortina de fumaça para esconder a ruína logística que se espalha pelas rodovias estaduais. Enquanto o comitê governantil tenta inflar as redes sociais com maquetes 3D de futuras obras, o cidadão que trafega pelo interior de Mato Grosso e pela região sul depara-se com o asfalto esfarelando em trechos recém-entregues ou recém-estadualizados. A falta de controle de qualidade e a fiscalização de gabinete permitiram que empreiteiras usassem materiais de baixa resistência, resultando em pistas que se desintegram ao menor sinal de chuva e gerando severo ceticismo na população, que paga caro por um serviço de péssima qualidade.

Em ano eleitoral, a movimentação nos bastidores de Cuiabá ferve com promessas mirabolantes patrocinadas pela pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta. Na tentativa de criar um balão de oxigênio político, o grupo governista corre para anunciar novos pacotes de asfalto e pontes, esperando que o eleitor esqueça que o mesmo grupo não foi capaz de concluir o corredor de transporte coletivo da capital ao longo de quase uma década de comando. Interlocutores apontam que o BRT do Coxipó, por exemplo, teve sua licitação empurrada para o final da década, jogando o trânsito da região metropolitana no mais absoluto caos urbano.

O racha entre o discurso de “gestão eficiente” e a realidade das ruas ficou evidente quando o próprio parlamento cobrou explicações urgentes sobre o rompimento de contratos anteriores e os aditivos milionários que continuam drenando o caixa público. Sem respostas convincentes dos técnicos da Sinfra, o governo tenta se esquivar da culpa jogando a responsabilidade sobre concessionárias de água ou intempéries climáticas. O fato concreto é que, diante de tanta lentidão e de rodovias estaduais caindo aos pedaços, a propaganda oficial esbarra no descontentamento geral de quem precisa usar estradas de areia e conviver com remendos intermináveis.