A crise de institucionalidade que atinge o Brasil deixou de ser uma tese de oposição para se tornar um dado estatístico incontestável. Segundo o mais recente levantamento da Atlas Intel, nada menos que 64,9% dos brasileiros apontam a corrupção como o principal problema do país, um índice que atropela outras pautas e expõe o nervo exposto da gestão atual. Esse ceticismo não é obra do acaso, mas o subproduto factual de um processo de fragilização dos órgãos de controle que encontrou solo fértil nas gestões do Partido dos Trabalhadores. Ao ressuscitar o modelo de governabilidade baseado na ocupação de cargos técnicos por militantes, o PT não apenas reaqueceu a engrenagem do aparelhamento, mas também minou a resistência das instituições que deveriam servir de freio aos abusos do Executivo, transformando o Erário, mais uma vez, em um território de conveniências partidárias.
A desidratação da ética pública reflete-se diretamente na falência da confiança nas cúpulas dos Poderes. A mesma pesquisa indica que 50% da população já não nutre qualquer confiança no governo Lula, um número que se agrava quando o foco se volta para o Judiciário: 60% dos brasileiros declaram não confiar no Supremo Tribunal Federal (STF). Esse divórcio entre o cidadão e as instituições revela como a percepção de impunidade e a parcialidade nos julgamentos corroeram a segurança jurídica. O histórico de escândalos bilionários, como o Petrolão e o Mensalão, deixou cicatrizes que as atuais revisões de acordos de leniência e as mudanças na Lei das Estatais apenas reabrem, sinalizando para o mercado e para a sociedade que a regra do jogo, sob o domínio petista, é a proteção do ecossistema político em detrimento da transparência administrativa.
Essa erosão sistêmica coloca o Brasil em um compasso de espera perigoso, onde 59% dos entrevistados pela Atlas Intel acreditam que novas revelações de grandes fraudes e corrupção estão prestes a vir à tona. A fragilidade das instituições brasileiras hoje é o espelho de um período em que a autonomia técnica foi sacrificada no altar do projeto de poder hegemônico. Ao transformar o Estado em uma extensão da sigla, a gestão petista consolidou um legado de instabilidade onde os pilares da democracia — que deveriam ser sólidos — balançam conforme o interesse de quem detém a caneta. O custo desse desmonte não se mede apenas nos bilhões desviados, mas na falência moral de um sistema que parou de fiscalizar para começar a facilitar, provando que o “DNA” do aparelhamento continua sendo o principal fator de risco para a democracia brasileira.
