A fumaça que a deputada estadual Janaina Riva (MDB) tentou levantar sobre uma suposta “operação abafa” nos documentos da Secretaria de Estado de Casa Civil acaba de ser dissipada por uma dose cavalar de realidade burocrática. Em um esclarecimento oficial que beira o deboche técnico, a pasta desmentiu categoricamente a informação de que teria “sumido” com partes de um processo enviado à Assembleia Legislativa. O imbróglio gira em torno da bilionária negociação de R$ 308 milhões envolvendo a restituição do Estado à empresa de telefonia Oi, um assunto que a parlamentar vem tentando transformar em um thriller de suspense político, mas que, segundo o Governo, não passa de um roteiro com furos de interpretação.

O “passo a passo” da suposta ocultação, na verdade, foi apenas uma otimização de papelada. A Secretaria de Fazenda (Sefaz) chegou a produzir uma nota técnica de cinco páginas, mas o conteúdo era basicamente um “não é comigo”, empurrando a competência para a Procuradoria Geral do Estado (PGE). Na hora de enviar a resposta à Casa Civil, essas cinco páginas de nada foram substituídas por uma única folha que dizia exatamente a mesma coisa. Para quem esperava encontrar um segredo de estado nas páginas “desentranhadas”, a notícia é frustrante: o documento original continua intacto no processo, provando que o único desaparecimento real aqui foi o do fundamento da acusação da deputada.

A Casa Civil reforçou que atua apenas como uma “central de entregas” entre os poderes, enviando os requerimentos à AL-MT exatamente como os recebe dos órgãos competentes. Mais do que isso, a secretaria fez questão de pontuar que o acordo com a Oi sequer tramitou em suas mesas, ficando restrito ao âmbito da Câmara de Resolução Consensual de Conflitos da PGE — onde as decisões são técnicas e não passam pelo crivo político da pasta. Ao entregar a íntegra dos dados e expor a fragilidade da denúncia, o Governo deixa Janaina Riva em uma posição desconfortável, sugerindo que, na busca por holofotes, a parlamentar pode ter acabado tropeçando nos próprios fatos.