O rastro do dinheiro nas contas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, acaba de ganhar um “pare!” oficial vindo diretamente da Praça dos Três Poderes. Em uma decisão que caiu como uma bomba nos bastidores da CPMI do INSS, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, resolveu suspender a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha e de outros personagens centrais da investigação, como Kalil Bittar e Paulo Okamotto. Sob a justificativa técnica de que o rito de votação na comissão teria atropelado normas processuais, Dino neutralizou, ao menos por enquanto, a tentativa dos parlamentares de entenderem como circularam milhões de reais em transações que envolvem o filho do presidente e figuras próximas ao Palácio do Planalto.

A decisão de Dino não é apenas um revés jurídico para a CPMI, mas um movimento político que reacende o debate sobre as relações de proximidade no topo da República. Para quem tem a memória curta, vale o lembrete necessário: o ministro Flávio Dino, hoje vestindo a toga que protege o sigilo de Lulinha, chegou ao STF por indicação direta do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva — o pai do principal beneficiado pela liminar. No xadrez brasiliense, o gesto de Dino é visto pela oposição como uma blindagem sob medida, garantindo que o “passo a passo” das contas da família presidencial permaneça em segredo, longe dos holofotes e dos relatórios explosivos da comissão parlamentar.

A reação no Congresso foi imediata e carregada de indignação. O senador Carlos Viana (Podemos), presidente da CPMI, não escondeu a frustração ao ver meses de articulação técnica serem anulados por uma canetada individual no Supremo. Enquanto o relator, deputado Alfredo Gaspar (União), tenta encontrar uma saída jurídica para manter as investigações de pé, a defesa de Lulinha respira aliviada, celebrando o que chama de “vitória do devido processo legal”. Com os sigilos novamente trancados a sete chaves, a “Farra do INSS” ganha um capítulo de silêncio forçado, provando que, em Brasília, o caminho das pedras muitas vezes encontra uma barreira intransponível quando o sobrenome em jogo é o mais influente do país.