A noite de gala do cinema britânico reservou um balde de água fria para os entusiastas de “O Agente Secreto”. Considerado o grande favorito da temporada e aposta certa na categoria de Melhor Filme em Língua Não Inglesa, o longa acabou sendo superado por “Valor Sentimental”. A vitória do drama, que conquistou os membros da academia com uma narrativa carregada de emoção, desbancou o suspense político que vinha dominando as premiações anteriores e era visto como o “adversário a ser batido”.
A escolha do BAFTA reforça a tradição da premiação em, por vezes, trilhar caminhos distintos do Oscar, priorizando obras que tocam em fibras sensíveis da condição humana em detrimento de produções mais técnicas ou de gênero. “Valor Sentimental” conseguiu furar a bolha do favoritismo ao entregar uma história que ressoou fortemente com o júri, enquanto “O Agente Secreto” terá de se contentar com o prestígio da crítica e as estatuetas já acumuladas em outros festivais.
Para o mercado cinematográfico, a derrota do favorito serve como um lembrete de que nenhuma indicação é garantia de vitória quando o assunto é voto acadêmico. Enquanto a equipe de “Valor Sentimental” celebra a ascensão inesperada ao topo do pódio britânico, os produtores de “O Agente Secreto” agora voltam as atenções para os próximos embates da temporada, tentando entender se o revés em Londres foi apenas um soluço isolado ou um sinal de mudança de ventos na corrida pelo ouro de Hollywood.
