O clima de festas no Palácio Paiaguás foi substituído por uma “guerra fria” de bastidores nas últimas 6 horas. O motivo? O eco ensurdecedor do ultimato dado pelo presidente do PL-MT, Ananias Filho, que decidiu que o governador Mauro Mendes (União) não pode mais ser um “namorado escondido”. Com a expectativa da entrevista de Jair Bolsonaro nesta terça-feira, a pressão para que Mauro “saia do armário político” e assuma o compromisso com os nomes da direita — leia-se Wellington Fagundes e José Medeiros — atingiu o ponto de ebulição. O governador, conhecido pelo seu pragmatismo, agora se vê em uma encruzilhada: ou mantém a palavra com seu vice Otaviano Pivetta, ou cede ao “canto da sereia” bolsonarista para não ver sua candidatura ao Senado naufragar em mares opositores.
A ironia da situação não passa despercebida nos corredores da Assembleia Legislativa. Enquanto os deputados correm para limpar a pauta e carimbar o orçamento bilionário antes do recesso, a conversa de corredor é uma só: até quando Mauro Mendes conseguirá equilibrar os pratos? A base governista está em polvorosa, com medo de que a “fidelidade canina” exigida pelo PL acabe isolando o União Brasil em 2026. Ananias Filho foi claro ao dizer que não aceita aliança “clandestina” e que, para andar de mãos dadas com a direita, o governador terá que beijar a mão (e a boca, conforme a metáfora ácida do dirigente) dos candidatos liberais, mesmo aqueles que ele, no fundo, gostaria de manter a uma distância segura.
No tabuleiro das últimas horas, o silêncio de Mauro Mendes é sua resposta mais barulhenta. O governador evita o confronto direto, mas sabe que a sombra de Bolsonaro em Mato Grosso é longa e pode esfriar qualquer projeto de sucessão tranquila para Pivetta em abril. Enquanto isso, a oposição se diverte com a “DR” pública da base, apostando que o racha é inevitável se o PL continuar exigindo que Mauro rife seus aliados mais próximos em nome de uma pureza ideológica que o governador nunca fizeram questão de ostentar totalmente. O Natal pode até ser de paz para as famílias, mas para a política mato-grossense, o presente debaixo da árvore é uma bomba relógio com o selo do PL.
