A Advocacia-Geral da União (AGU) deu um passo decisivo para recuperar o rombo bilionário das fraudes no INSS, ajuizando o segundo lote de ações cautelares na Justiça Federal. O novo movimento mira o bloqueio de impressionantes R$ 3,9 bilhões em bens e ativos de 12 entidades associativas e três empresas de tecnologia, acusadas de participar do esquema de descontos irregulares em aposentadorias.

A repercussão política desta nova fase é alta, pois a ação atinge entidades que haviam sido poupadas no primeiro lote de bloqueios, como o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (SINDNAPI-FS). O SINDNAPI é o sindicato que tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora a AGU afirme que o processo segue critérios técnicos para reaver o dinheiro desviado, a oposição tem criticado o governo por supostamente ter demorado a incluir o sindicato do irmão do presidente na mira, apesar de alertas internos e de investigações da Polícia Federal (PF).

As investigações apontam que essas entidades se valeram de empresas de tecnologia para produzir assinaturas eletrônicas falsas de milhões de aposentados, inserindo descontos ilegais nas folhas de pagamento. O valor total das fraudes contra o INSS entre 2019 e 2024 é estimado em mais de R$ 6,3 bilhões. A AGU afirma que o objetivo das ações é garantir o ressarcimento dos valores subtraídos dos beneficiários e punir as associações que, segundo o órgão, foram criadas com o propósito de lesar os aposentados e pagar propinas a agentes públicos.