A Polícia Civil de São Paulo prendeu, na quinta-feira (3), um homem suspeito de participar do ataque hacker que desviou milhões de reais de uma empresa que conecta bancos menores e fintechs aos sistemas PIX, do Banco Central (BC).
João Nazareno Roque é funcionário da empresa de tecnologia C&M Software (CMSW) e deu acesso pela máquina dele ao sistema sigiloso para os hackers que efetuaram o ataque, segundo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
O BC ainda não informou o nome de todas as instituições afetadas. Também não há confirmação oficial sobre os valores envolvidos no ataque, mas que a quantia pode chegar a R$ 800 milhões.
De acordo com a C&M, criminosos usaram credenciais, como senhas, de seus clientes para tentar acessar seus sistemas e serviços de forma fraudulenta. O ataque cibernético afetou pelo menos seis instituições financeiras causou alvoroço no mercado financeiro na última quarta-feira (2).
Em nota, a C&M Software diz que colabora com as investigações e diz que, desde que foi identificado o incidente, adotou “todas as medidas técnicas e legais cabíveis”.
O que aconteceu?
A C&M Software reportou para o Banco Central um ataque às suas infraestruturas digitais. O incidente permitiu o acesso indevido a contas de reserva de pelo menos seis instituições financeiras que estavam conectadas à companhia.
As contas de reservas são contas que os bancos e instituições financeiras mantêm no BC. Essas contas funcionam como uma conta corrente, e são utilizadas para processar as movimentações financeiras das instituições.
Essas contas ainda servem como uma reserva de recursos que os bancos precisam manter no BC para garantir que cumpram com suas obrigações financeiras.
Também funcionam para que as empresas possam participar de operações com o próprio BC — como empréstimos de liquidez, aplicações em títulos públicos e depósitos compulsórios (valores obrigatórios mantidos pelos bancos no BC).
Quem é o suspeito preso em SP?
João Nazareno Roque, de 48 anos, é operador de TI da C&M Software e foi preso nesta quinta no City Jaraguá, na zona norte de São Paulo.
O suspeito tem 20 anos de experiência como eletricista predial e residencial, leitura e interpretação de projetos no autoCad, segundo perfil na rede social Linkedin. Ele também atuou durante quatro anos como técnico de instalação de TV a cabo NET.
Em seu perfil, diz que tem uma “pequena experiência com tecnologia, relacionada a ligação de câmeras, computadores e distribuição de ramais na suíte de rede”.
Em depoimento à Polícia Civil, ele disse que vendeu a sua senha a hackers e executou comandos na plataforma da C&M a pedido dos criminosos por R$ 15 mil.
Quem foi afetado?
O BC ainda não informou o nome de todas as instituições afetadas. Uma das que se sabe é a BMP, empresa que fornece infraestrutura para plataformas bancárias digitais e é cliente da C&M Software. A BMP foi quem divulgou nota sobre o incidente.
Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam a BMP, elogiam a celeridade da Polícia Civil no caso, em parceria com a Justiça, e afirmaram que a empresa “busca recuperar os valores milionários desviados, bem como identificar e prender toda essa extensa rede da organização criminosa por trás desses crimes”.
