Mensagens inéditas interceptadas no âmbito de investigações da Polícia Federal revelam que a lobista e empresária Roberta Luchsinger tratava Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, como seu “sócio” direto em pelo menos oito diálogos travados pelo WhatsApp entre outubro de 2023 e junho de 2024. O teor das conversas, revelado pela coluna de Andreza Matais no portal Metrópoles, desmente a versão oficial apresentada por ela em depoimento formal à PF em maio deste ano, ocasião em que tentou blindar o filho do presidente da República afirmando que mantinha com ele apenas uma relação de “mera amizade” e negando qualquer repasse ou vínculo financeiro.

Os registros desvelam a desenvoltura com que Luchsinger utilizava o nome e o parentesco de Lulinha em tratativas com contatos profissionais, advogados, operadoras e até gerências de hotéis de alto luxo na Europa. Em um dos episódios mais recentes, datado de 25 de junho de 2024, a empresária enviou mensagem à gerente do Hotel Le Bristol — tradicional endereço cinco estrelas em Paris — justificando sua estada na capital francesa:

“Que pena! Estava com meu sócio e a família. Filho do presidente Lula. Fizemos mta compra e adoraria ter lhe encontrado”.

A rotina do “sócio do PR”

O conjunto probatório expõe menções reiteradas à sociedade e à rotina compartilhada entre os dois em viagens internacionais e na capital federal:

  • Poder em Brasília (13/05/2024): Em conversa com um interlocutor identificado como Alexandre Rodrigues, Luchsinger afirma que passava parte da semana na capital federal a trabalho: “com o meu sócio q é filho do pr” (abreviação rotineira de presidente da República).
  • Viagem a Genebra (28/01/2024): A empresária detalha viagem à Suíça com familiares e pontua a comitiva: “Conosco irão Fábio (meu sócio) filho do presidente Lula com a esposa e filhos”.
  • Conexão Barcelona (22/02/2024): Em áudio enviado a uma interlocutora, cobra celeridade em pendências de trabalho: “E o Fábio, meu sócio, já viajou para Barcelona. E aí eu tenho que correr com as coisas, né?”.
  • Parceria tripartite com Bittar (10/01/2024 e out/2023): Em conversas com advogados e conhecidos, Luchsinger afirma categoricamente a sociedade em uma empresa: “Lembra do Fernando, meu sócio na empresa que eu tenho com ele, com o Fábio, filho do presidente?”. Em outro diálogo, crava: “O Fábio eh meu sócio. Eu, ele e o Fernando Bittar”.

Desgaste para o Planalto

A divulgação das mensagens atinge o Palácio do Planalto no momento em que a campanha eleitoral de Lula enfrenta forte pressão nas pesquisas de intenção de voto. Alvo de inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência, fraudes no INSS e ingerência em contratos públicos da Dataprev, Roberta Luchsinger já havia colocado a gestão petista em posição defensiva após a divulgação de fotos com o próprio presidente e com assessores do primeiro escalão — relação que Lula tentou desqualificar publicamente ao rotulá-la como “uma pilantra” com quem nunca teria tido proximidade.

As mensagens em poder das autoridades judiciais tornam insustentável a tese de que a ligação entre a lobista e o filho mais velho do mandatário se restringia à vida social. Ao documentar referências explícitas a negócios, empresas compartilhadas e viagens ao exterior, a apuração amplia o cerco sobre os operadores do entorno familiar de Lula e fornece farto combustível para a oposição cobrar esclarecimentos e novas diligências da Polícia Federal na reta final da disputa eleitoral.