Diante da sequência de pesquisas eleitorais que apontam estagnação ou desvantagem numérica em projeções de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), dirigentes e parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) passaram a admitir publicamente a necessidade de correções estruturais na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O recuo nas expectativas e o sinal de alerta no comitê petista refletem as dificuldades da gestão federal em converter entregas administrativas em melhora na avaliação popular.
Nos bastidores da campanha, o tom de otimismo inicial deu lugar a um “mea-culpa” sobre os rumos da comunicação e da pauta política nacional. O vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, expressou abertamente o incômodo com o distanciamento das demandas cotidianas da população, cobrando que a narrativa governista se concentre no que realmente move o voto do trabalhador: emprego, recomposição salarial, combate à inflação dos alimentos, saúde e educação.
“Precisa falar de salário, emprego, comida, saúde, educação e dignidade”, defendeu Quaquá ao apontar a urgência de recolocar o poder de compra e o bem-estar social no centro da estratégia de comunicação.
A apreensão na base governista foi ampliada pelas recentes sondagens de institutos como Quaest e BTG/Nexus, que registraram cenário de empate técnico no limite da margem ou dianteira numérica de Flávio nas simulações de segundo turno. Em paralelo, aliados de primeira hora, como o deputado Guilherme Boulos (PSOL), subiram o tom contra os constantes vazamentos de inquéritos no âmbito do Judiciário e da Polícia Federal, acusando a oposição e ministros do STF de tentarem impor um “clima de lama” para desgastar a imagem do Palácio do Planalto.
Apesar do momento desfavorável, a coordenação da campanha sustenta que “há jogo” e aposta que o afunilamento da disputa direta entre Lula e Flávio explicitará o contraste de projetos de país no segundo turno. Para reverter a curva de intenções de voto e estancar o avanço bolsonarista, o comitê petista intensifica a cobrança por uma repaginação do discurso oficial e pela mobilização da militância de rua nas capitais e grandes colégios eleitorais.
