A chegada de uma intensa massa de ar frio na região Sul de Mato Grosso ativou um plano de contingência humanitária coordenado pelas forças de assistência social do município. Equipes técnicas do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) de Rondonópolis ganharam as avenidas e praças centrais em uma força-tarefa noturna de busca ativa e acolhimento. A ofensiva assistencial foca no monitoramento dos principais pontos de concentração urbana para garantir a distribuição de cobertores, agasalhos e alimentação quente, mitigando os riscos severos causados pelas baixas temperaturas para quem enfrenta a vulnerabilidade extrema das calçadas.

Durante as incursões pelos bairros e adjacências da rodoviária, os assistentes sociais e psicólogos não limitam a atuação à entrega de insumos materiais, concentrando esforços no convencimento técnico para o rastro de acolhimento institucional. Os cidadãos abordados são convidados a se deslocar até a estrutura de abrigo municipal, onde contam com leitos limpos, espaço para higiene pessoal, triagem de saúde e quatro refeições diárias completas. A abordagem humanizada visa romper a barreira do isolamento social, oferecendo uma porta de saída para indivíduos que, por diferentes contextos de abandono familiar ou desemprego crônico, acabaram perdendo o vínculo com a comunidade.

A coordenação da Secretaria de Promoção e Assistência Social destaca que a campanha ganha ainda mais força com a participação ativa da sociedade civil por meio de denúncias e sinalizações de locais onde há pessoas desprotegidas no relento. O trabalho contínuo do Centro Pop funciona como um amortecedor social indispensável para evitar tragédias clínicas decorrentes da hipotermia e da exposição ao tempo. Com a manutenção do plantão técnico enquanto durar a onda de frio na região, a prefeitura tenta mapear cada rastro de vulnerabilidade, transformando o rigor do inverno em uma oportunidade de triagem, recadastramento em programas de transferência de renda e reinserção social para a população invisível que orbita as calçadas da cidade.