O governo Lula decidiu que a solução para a dependência dos combustíveis fósseis pode estar em um copo maior de cana-de-açúcar dentro do seu tanque. A equipe econômica e o Ministério de Minas e Energia avaliam um novo aumento na porcentagem de etanol misturado à gasolina, sob o argumento de que a medida é o passaporte definitivo para a autossuficiência energética do país. A ideia é que, ao “batizar” o combustível com uma dose extra de álcool, o Brasil consiga reduzir a necessidade de importação e, de quebra, posar de paladino da economia verde, mesmo que isso custe alguns quilômetros a menos por litro no painel do cidadão.

A manobra, que agrada em cheio ao setor sucroenergético, é vista com desconfiança por mecânicos e fabricantes de automóveis, que temem os efeitos do excesso de etanol na longevidade dos motores não preparados para tamanha generosidade alcoólica. Enquanto o Planalto desenha gráficos otimistas sobre a balança comercial, o motorista brasileiro já começa a calcular o prejuízo no rendimento do veículo. Para o governo, trata-se de soberania nacional; para quem está no posto de combustível, a sensação é de que a gasolina está virando apenas um acompanhamento para o etanol.

Se a proposta avançar, o Brasil deve consolidar uma das maiores misturas de biocombustível do mundo, forçando a frota nacional a se adaptar a um novo padrão de consumo. Entre a ideologia ambiental e a necessidade de controlar os preços internos, o governo aposta todas as fichas na cana para evitar o desgaste político dos reajustes internacionais do petróleo. Resta saber se o motor do país vai aguentar esse novo “drink” energético sem engasgar no meio do caminho para 2026.