A Secretaria Municipal de Saúde de Rondonópolis resolveu esticar o pano e o horário de funcionamento das unidades básicas para tentar conter a sangria de reclamações nas UPAs. O primeiro balanço do programa de horário estendido revela que quase 1,5 mil atendimentos foram realizados em períodos que antes eram de portas fechadas, um dado fato que a prefeitura corre para capitalizar como prova de que a rede está se tornando mais acessível ao cidadão comum. Para o trabalhador que antes precisava escolher entre o dia de serviço e a consulta médica, a luz acesa nos postos até mais tarde funciona como um alento logístico, provando que a saúde pública, quando quer, consegue ajustar o relógio à realidade das ruas.

O avanço no número de procedimentos realizados no período noturno é o novo trunfo da gestão Cláudio Ferreira para tentar equilibrar a balança da aprovação popular na área social. Ao descentralizar o atendimento que costumava sobrecarregar as unidades de urgência e emergência, o governo municipal tenta criar um “filtro” de eficiência que impeça o colapso do sistema em horários de pico. O fato é que o volume de quase 1,5 mil consultas mostra que o problema não era apenas a falta de médicos, mas a falta de janelas de oportunidade para quem sustenta a economia da cidade durante o dia, transformando o sucesso estatístico em um argumento de peso para a continuidade e expansão do projeto.

No entanto, a acidez do cenário não permite que o otimismo seja absoluto. Se por um lado os números brilham nos relatórios oficiais, por outro eles escancaram o tamanho do buraco que a saúde de Rondonópolis vinha tentando tapar. O fato é que a alta procura pelo horário especial é o sintoma claro de uma rede que ainda luta para ser resolutiva no horário comercial, forçando a administração a investir em regimes de plantão para garantir o básico.