O “1º Fórum Jurídico Brasil-Inglaterra”, realizado em Londres em abril de 2024, revelou-se um evento de hospitalidade bancária sem precedentes para a elite do Judiciário brasileiro. Sob o pretexto de debater teses jurídicas em solo britânico, o Banco Master abriu os cofres para custear o tour de figuras que, em tese, deveriam manter uma distância profilática do poder econômico. Além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a lista de beneficiários da “cortesia” financeira incluiu nomes de peso do Superior Tribunal de Justiça (STJ), como os ministros Benedito Gonçalves, Messod Azulay Neto, Mauro Campbell Marques, Antonio Carlos Ferreira, Marco Aurélio Bellizze, Gurgel de Faria e Ricardo Villas Bôas Cueva. O fato é que a generosidade do banco não parou por aí, estendendo-se também ao ministro Douglas Alencar Rodrigues, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), garantindo que a justiça brasileira estivesse bem representada — e devidamente hospedada — na capital inglesa.

A “caravana” de autoridades para o fórum internacional levanta um incômodo fato sobre os limites da ética e da independência institucional no Brasil. Enquanto os ministros e o chefe da PF discutiam o direito comparado, a conta das passagens de classe executiva e dos hotéis de luxo era liquidada por uma instituição financeira que, como qualquer grande banco, possui interesses diretos em decisões que tramitam nas cortes superiores. A acidez da situação reside justamente no fato de que o patrocínio privado para viagens oficiais de magistrados e delegados cria uma zona cinzenta de gratidão que o Código de Ética da Magistratura tenta, em vão, evitar. Para o observador atento, o evento londrino não foi apenas um fórum de ideias, mas uma demonstração de força fato do lobby bancário, que conseguiu colocar sob o mesmo teto — e sob sua fatura — quem investiga, quem julga e quem decide o futuro jurídico do país.

O impacto dessa “gentileza” londrina ecoa até hoje nos bastidores de Brasília, onde a transparência muitas vezes é ofuscada pelo brilho do ouro financeiro. O fato é que o Banco Master, ao assumir o papel de agência de turismo para o topo da pirâmide estatal, garantiu um acesso privilegiado que nenhum cidadão comum jamais terá. Entre uma palestra e um chá das cinco, a cúpula do direito brasileiro desfrutou de um conforto patrocinado que coloca sob suspeita a imparcialidade das decisões futuras que envolvam o setor financeiro. Agora, com os nomes devidamente expostos, o “fato” que fica para a opinião pública é que, no Brasil, a justiça pode até ser cega, mas parece ter um excelente faro para viagens de luxo com tudo pago, deixando a conta da moralidade para ser quitada pelo contribuinte que segue a pé.