A tentativa do Palácio Paiaguás de reorganizar a chapa majoritária às pressas transformou-se em um novo e grave pesadelo jurídico para o governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos). O Ministério Público Eleitoral (MPE) identificou severas irregularidades na confecção da ata de reunião que homologou a deputada federal Gisela Simona (União Brasil) como nova candidata a vice-governadora, colocando sob risco iminente de indeferimento o registro de toda a composição governista.
A indicação de Gisela Simona surgiu como uma manobra de emergência para estancar o sangramento provocado pela saída forçada de Fábio Garcia, tragado pelo escândalo do Caso Oi e pelos desdobramentos da Operação Heritage. No entanto, o atropelo nos procedimentos partidários para formalizar a troca deixou rastros de ilegalidade. A manifestação do Ministério Público aponta vícios formais insanáveis, inconsistências no quórum deliberativo e desrespeito às regras estatutárias e prazos estabelecidos pela legislação eleitoral para a lavratura da ata complementar.
Segundo a manifestação do órgão fiscalizador, a manobra utilizada para chancelar o nome de Gisela Simona à margem dos trâmites legais da convenção partidária fere o princípio da legalidade e a transparência do processo eleitoral. Caso o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) acolha o entendimento do MPE e indefira a ata questionada, a chapa encabeçada por Pivetta ficará juridicamente acéfala na vice, o que pode culminar na impugnação direta do registro da candidatura majoritária.
O revés eleitoral aprofunda a sensação de desespero e desorganização que tomou conta do núcleo político de Pivetta. O que era para ser uma solução rápida para contornar o racha com o ex-governador Mauro Mendes e conter o avanço da oposição virou um flanco aberto na Justiça, deixando a candidatura governista sob ameaça real de naufragar antes mesmo do início da propaganda eleitoral.
