Os números da mais recente pesquisa Real Time Big Data para o Senado Federal em Mato Grosso revelaram um movimento tectônico no xadrez político do estado. Embora o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e a deputada estadual Janaina Riva (MDB) apareçam dividindo a liderança das intenções de voto — impulsionados pelo recall de suas trajetórias —, o dado que realmente tirou o sono dos marqueteiros do Palácio Paiaguás foi a curva ascendente das candidaturas de oposição e a perda de ritmo do ex-gestor estadual.

O levantamento aponta o crescimento consistente dos nomes da deputada Janaina Riva, do deputado federal José Medeiros (PL) e do ministro da Agricultura Carlos Fávaro (PSD), que encurtam a distância para os primeiros colocados e pulverizam os votos do eleitorado no interior. Enquanto Janaina consolida sua musculatura com forte apelo municipalista e Medeiros se beneficia da onda conservadora, Mauro Mendes vê sua margem de segurança derreter a passos largos sob o impacto avassalador das revelações da Operação Heritage e do desgaste acumulado por seu grupo político.

A derrocada progressiva das pretensões de Mauro Mendes e o isolamento do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) na disputa pelo Governo trouxeram de volta aos bastidores uma incômoda lembrança histórica: o “Efeito Dante de Oliveira”.

A analogia resgata o cenário de 2002, quando o ex-governador Dante de Oliveira — símbolo nacional das “Diretas Já” e detentor de índices expressivos de aprovação em sua gestão — viu seu favoritismo ruir de forma acachapante nas urnas. Naquele pleito, atropelado pelo desgaste do seu grupo e pela virada da opinião pública, Dante amargou uma derrota histórica na disputa ao Senado, arrastando junto o seu candidato ao Governo do Estado, Antero Paes de Barros, cujo projeto naufragou na reta final.

A história parece dar sinais de que pode se repetir em 2026. Encurralado por investigações da Polícia Federal, com bens bloqueados e sem o comando da máquina pública, Mauro Mendes corre o risco real de reviver o pesadelo de Dante. Caso a sangria de imagem continue desidratando suas bases e contaminando o palanque situacionista, a chapa formada por Mendes ao Senado e Pivetta ao Governo caminha a passos largos para se tornar a próxima vítima da memória e do julgamento implacável do eleitorado mato-grossense.