As réplicas do terremoto político deflagrado pela Operação Heritage continuam a desmoronar as estruturas do Palácio Paiaguás. O avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal — chanceladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) — provocou a segunda grande baixa no primeiro escalão do governo estadual: a saída do secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho. A exoneração ocorre na esteira dos desdobramentos sobre a apuração do bilionário acordo com a operadora Oi, transformando Carvalho em mais um nome de peso tragado pelo escândalo.

A queda de Mauro Carvalho escancara a profundidade da crise e o nível de comprometimento do núcleo duro que comandou o Estado nos últimos anos. Com o cerco da PF se fechando e a firmeza demonstrada pelos ministros do STF na apuração de desvios e movimentações financeiras atípicas, fontes dos bastidores do governo já admitem que a lista de “vítimas” da operação não para por aí. A expectativa no meio político é de que novos desdobramentos atinjam quadros adicionais do secretariado e aliados estratégicos nas próximas semanas.

O efeito colateral desse sangramento contínuo recai diretamente sobre a pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta ao Governo de Mato Grosso. Sem conseguir estancar a crise que já derrubou Fábio Garcia da chapa majoritária e agora desfalca o comando político do Estado com a saída de Carvalho, a pré-campanha governista passa por um processo acelerado de fragilização.

A ruína do grupo de sustentação e a contaminação diária do Palácio Paiaguás deixam o palanque de Pivetta isolado, sem o respaldo das principais figuras do União Brasil e sob o risco iminente de que novos alvos da Operação Heritage sepultem de vez a competitividade do projeto eleitoral em 2026.