O rastro de asfixia financeira que ameaça paralisar os serviços essenciais no interior de Mato Grosso levou os prefeitos do estado a adotarem uma postura de enfrentamento direto na capital federal. Sob a liderança do presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Maninho, uma comitiva de gestores estaduais desembarcou em Brasília para integrar a Mobilização Municipalista de urgência convocada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). A meta cirúrgica do grupo é frear o rastro de projetos e pautas-bomba em tramitação no Congresso Nacional que geram impacto fiscal bilionário, ameaçando jogar as contas públicas das prefeituras em um completo desarranjo técnico às vésperas do encerramento de mandato.
A engenharia da pressão política ferve nos gabinetes da Câmara dos Deputados e do Senado, onde os prefeitos tentam construir uma cortina de proteção ao redor do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A pauta principal dos prefeitos de Mato Grosso exige a aprovação imediata das PECs 231/2019 e 25/2022, mecanismos técnicos desenhados para ampliar de forma permanente os repasses federais e dar um balão de oxigênio para os caixas locais. Gestores pontuam que, enquanto Brasília centraliza a maior fatia da arrecadação tributária, o racha financeiro estoura de forma severa na ponta, onde a demanda por investimentos em saúde, educação e pavimentação urbana só cresce nos 142 municípios mato-grossenses.
Nos bastidores do Congresso, a comitiva agendou reuniões pesadas com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e com representantes diretos da Presidência da República para cobrar os compromissos assumidos na última Marcha a Brasília. Lideranças da AMM alertam que a aprovação de novos pisos salariais sem a indicação de uma fonte real de custeio cria um desequilíbrio insustentável nas contas, emparedando os prefeitos perante a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Enquanto o comitê de comunicação da mobilização unifica o discurso e prepara novos protestos, o rastro dessa articulação prova que os municípios cansaram de pagar a conta sozinhos, exigindo uma repactuação federativa antes que o colapso burocrático invada de vez as prefeituras.
