O rastro de violência, poder bélico e transnacionalização das duas maiores facções criminosas do Brasil — o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) — rompeu de vez a barreira da segurança pública doméstica e colocou o país na mira da geopolítica militar de Washington. Em um movimento de bastidores que provocou um verdadeiro terremoto técnico e diplomático nos corredores de Brasília, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) admitiu reservadamente que o avanço descontrolado desses cartéis em solo nacional e nas fronteiras da Amazônia Legal acendeu um alerta severo no Pentágono. Relatórios confidenciais indicam que o governo dos Estados Unidos já avalia o racha da segurança interna brasileira como uma ameaça direta à sua própria segurança nacional, abrindo uma brecha jurídica internacional para uma eventual e drástica ação militar unilateral em território sul-americano.

A engenharia dessa crise diplomática silenciosa ferve no comitê central do Itamaraty, que corre para tentar criar uma cortina de fumaça e evitar que o Brasil seja classificado formalmente por Washington como um “Estado falido” ou incapaz de conter o narcoterrorismo. O grande temor dos embaixadores brasileiros é que o avanço das facções sobre rotas globais de envio de cocaína e o rastro de lavagem de dinheiro bilionária atraiam sanções severas ou sirvam de pretexto para o uso de forças especiais americanas sob a justificativa de proteção hemisférica. Esse desarranjo na imagem externa do país joga por terra os discursos de soberania absoluta e coloca a diplomacia brasileira em uma incômoda posição de subordinação técnico-operacional perante as agências de inteligência americanas, como a DEA e o FBI.

Nos bastidores das Forças Armadas e do Ministério da Justiça, o diagnóstico do Itamaraty foi recebido com um misto de pânico e cobrança cirúrgica por ações de contenção imediata nas fronteiras estaduais e federais. Generais e chefes de polícia pontuam que o crescimento desmedido do PCC e do CV — que já operam com armamento de guerra e controlam territórios inteiros de norte a sul do país — emparedou o Estado e transformou o crime organizado em uma potência paramilitar. Enquanto a oposição no Congresso Nacional usa o relatório secreto para apontar a incompetência do governo federal no combate às facções, o rastro dessa advertência diplomática prova que a leniência das políticas públicas de segurança e o racha nas fronteiras transformaram as favelas e matas brasileiras em um potencial canteiro de intervenção estrangeira.