O rastro de investimentos astronômicos no Parque Novo Mato Grosso ganhou mais um capítulo de forte fervura política e contestações nos bastidores de Cuiabá. O governador, Otaviano Pivetta (Republicanos), disparou declarações entusiasmadas ao cravar que o local receberá as “melhores feiras de negócios do mundo” voltadas ao agronegócio. No entanto, a retórica futurista esbarra no descontentamento do interior e na confirmação de que a estrutura — que já consome cifras milionárias e ostenta o projeto da maior roda-gigante da América Latina — vai sugar mais de R$ 9 milhões extras dos cofres públicos, injetados diretamente por meio de aditivos técnicos e contratos governamentais.
A engenharia dessa centralização bilionária acendeu o sinal de alerta máximo nos comitês organizadores de grandes eventos agropecuários e comerciais de Mato Grosso. Ao focar todas as forças para transformar o complexo da capital no epicentro definitivo dos negócios do campo, o discurso de Pivetta abre um racha preocupante e pode esvaziar a relevância econômica das tradicionais feiras tecnológicas promovidas nos municípios do interior, como a consagrada Exposul em Rondonópolis. Críticos apontam que, em vez de descentralizar o desenvolvimento, o Palácio Paiaguás atua de forma severa para monopolizar os holofotes e os investimentos em um único endereço.
Nos corredores da Assembleia Legislativa, a gastança desenfreada e a destinação final do parque geram uma cortina de fumaça que não esconde a dúvida crucial sobre a real função social daquela megaestrutura. Enquanto a propaganda oficial tenta vender o espaço como um balão de oxigênio para o lazer da população mais humilde, que assiste de longe à construção da suntuosa roda-gigante, o desenho dos bastidores sugere um destino bem diferente. O projeto parece estruturado sob medida para se transformar em um playground de luxo técnico, financiado pelo contribuinte mato-grossense, mas gerido para massagear o ego e os bolsos dos barões do agronegócio que dão sustentação política ao projeto de poder de Pivetta.
Com o comitê financeiro do estado autorizando novos repasses e as empreiteiras acelerando o passo, o rastro dessa obra bilionária segue emparedando a lógica da responsabilidade fiscal. O questionamento que ferve nas rodas políticas é simples e direto: se o dinheiro público sai do bolso de todos os cidadãos, por que a prioridade máxima da estrutura é criar um ambiente exclusivo para atender aos interesses da elite latifundiária? Enquanto o governo tenta abafar o desarranjo na narrativa, o interior observa com severo ceticismo o progresso se concentrar apenas ao redor das janelas do poder em Cuiabádo Paiaguas.
