A harmonia que as grandes lideranças políticas de Mato Grosso tentavam simular para a disputa sucessória do Palácio Paiaguás ruiu de vez nos bastidores de Cuiabá. Em um desabafo cirúrgico que pegou o comitê central de surpresa, o senador Jayme Campos (União) não engoliu as últimas movimentações de bastidor e disparou petardos diretos contra o ex-governador Blairo Maggi (PP). Embora tenha iniciado a fala com uma cortina de fumaça de agradecimentos formais, Jayme escancarou uma severa insatisfação e cravou que faltou diálogo elementar por parte de Maggi ao tentar conduzir o processo de transição sem ouvir as bases tradicionais, jogando os planos de unidade em um completo desarranjo técnico.

A engenharia do descontentamento ferve nos gabinetes da bancada federal e da Assembleia Legislativa, onde o grupo ligado aos Campos já vinha demonstrando incômodo com o isolamento nas tomadas de decisão. Jayme pontuou de forma severa que a política exige respeito à folha de serviços prestados e que candidaturas majoritárias não podem ser empacotadas dentro de escritórios do agronegócio para depois serem enfiadas goela abaixo do eleitorado do interior. Esse racha público entre duas das maiores potências políticas do estado abre uma brecha perigosa para as chapas adversárias em polos importantes, como Rondonópolis, onde o eleitorado observa atento o desmantelamento das alianças da capital.

Nos bastidores partidários, a fala do senador funcionou como um sinal de alerta máximo para os marqueteiros governistas, que agora correm contra o tempo para tentar construir uma cortina de proteção ao redor do bloco e evitar que o racha contamine as convenções. Interlocutores apontam que a postura enérgica de Jayme foi um recado direto de que seu grupo não aceitará um papel secundário ou de mera subordinação técnico-operacional nas próximas costuras de poder. Enquanto os caciques calculam o tamanho do estrago nas bases estaduais, o rastro dessa cobrança pública prova que a sucessão estadual entrou em uma fase de alta fervura, onde a falta de conversa promete cobrar um preço pesado nas urnas.