O cenário político em Mato Grosso sofreu um abalo sísmico que acendeu o sinal de alerta máximo nos corredores do Palácio Paiaguás. Os dados atualizados da pesquisa de intenção de voto do instituto Percent Brasil revelam uma reviravolta dramática na corrida pelas duas vagas ao Senado Federal em 2026: o governador Mauro Mendes (União) entrou em rota de queda livre, amargando desidratação nas intenções de voto e um incômodo salto nos índices de rejeição. Em contrapartida, quem engatou marcha de subida fulminante foi o deputado federal José Medeiros (PL), que atropela adversários e se consolida como o nome em maior ascensão no estado.
A perda de altitude do governador expõe o esgotamento do discurso de eficiência da gestão estadual. Encurralado por escândalos de obras públicas que se esfarelam, pela crise no Portão do Inferno e pelo avanço sem freios da criminalidade no interior, Mauro Mendes começou a pagar a conta diante do eleitorado. Além de ver sua gordura nas pesquisas derreter de forma expressiva, o chefe do Executivo assistiu ao crescimento direto da sua rejeição popular, mostrando que a pecha de incompetência em áreas essenciais começou a colar de forma definitiva em sua imagem política.
Intenção de Voto ao Senado (Percent Brasil)
| Candidato | Pesquisa Anterior (%) | Pesquisa Atual (%) | Variação |
| José Medeiros (PL) | 18,2% | 24,5% | + 6,3% |
| Mauro Mendes (União) | 31,0% | 23,1% | – 7,9% |
| Janaina Riva (MDB) | 22,4% | 18,6% | – 3,8% |
| Carlos Fávaro (PSD) | 10,1% | 14,8% | + 4,7% |
| Pedro Taques (Solidariedade) | 6,5% | 9,2% | + 2,7% |
| Outros / Indecisos / Nulos | 11,8% | 9,8% | – 2,0% |
Aproveitando a sangria governista, José Medeiros virou o grande destaque do levantamento ao registrar um salto expressivo na preferência dos mato-grossenses, saltando de 18,2% para 24,5% e assumindo a liderança isolada. Impulsionado pela forte conexão com o eleitorado conservador e pelo alinhamento irrestrito à pauta da direita e do bolsonarismo, o parlamentar federal demonstra tração impressionante tanto na capital quanto nos grandes polos do agronegócio e do interior. Quem também pegou carona no vácuo aberto pelo governo foi o ministro Carlos Fávaro (PSD), que subiu para 14,8%.
Rejeição dos Pré-Candidatos (“Em quem não votaria de jeito nenhum”)
| Candidato | Índice de Rejeição (%) |
| Mauro Mendes (União) | 32,4% |
| Pedro Taques (Solidariedade) | 24,1% |
| Janaina Riva (MDB) | 18,5% |
| Carlos Fávaro (PSD) | 12,2% |
| José Medeiros (PL) | 8,3% |
O levantamento traz outro dado indigesto para a base governista: o explosivo índice de rejeição de Mauro Mendes, que alcançou a liderança isolada com 32,4% dos eleitores afirmando que não votariam nele de jeito nenhum. A rejeição do governador supera com folga nomes tradicionais e reflete o acúmulo de desgastes na infraestrutura, segurança pública e no relacionamento com o funcionalismo.
O recado das urnas é cristalino: a tentativa do grupo governista de atropelar o processo eleitoral ruiu, abrindo caminho para a consolidação de Medeiros e Fávaro e transformando a disputa pelas duas cadeiras do Senado em um pesadelo tático para o Palácio Paiaguás.
