A expectativa que tomava conta dos bastidores da Câmara Municipal de Rondonópolis virou fumaça e deu lugar a um clima de tenso suspense. Em uma manobra marcada por reuniões a portas fechadas e panos quentes no plenário, a Mesa Diretora e os parlamentares decidiram que o Legislativo não fará qualquer manifestação pública ou tomada de atitude em relação à cassação da vereadora Mariúva Valentin Chaves (MDB) enquanto não receber uma notificação judicial expressa e inequívoca determinando a perda do cargo.
O ápice do drama ocorreu durante a sessão ordinária, quando o presidente da Casa, vereador Paulo César Schuh (PL), interrompeu bruscamente os trabalhos legislativos para convocar uma reunião reservada com os demais parlamentares nos bastidores. Na volta do encontro secreto, o silêncio da presidência sobre o caso Mariúva ecoou mais forte do que qualquer pronunciamento, escancarando a estratégia do comando da Câmara de “ganhar tempo” e empurrar a batata quente para a esfera jurídica.
Interlocutores do Legislativo, como o vereador Júnior Mendonça (PT), saíram em defesa da cautela e justificaram a inércia da Casa. Segundo a tese alardeada no parlamento rondonopolitano, o Legislativo até o momento apenas recebeu esclarecimentos formais sobre o andamento do processo que envolve Mariúva, mas sem qualquer ordem direta para a extinção do mandato ou convocação imediata do suplente Adonias Fernandes. Sem esse “carimbo” judicial específico para a perda da vaga, a presidência alega que não há respaldo legal para afastar a parlamentar.
Do outro lado da ponta, a própria Mariúva Valentim busca fôlego para se manter no cargo. Abordada pela imprensa, a emedebista alegou que a condenação em questão remonta a fatos ocorridos há cerca de 17 anos e sustentou a tese de que a pena já estaria cumprida, classificando a pressão pela sua cassação como um movimento de “violência política”.
Com o espetáculo do silêncio no plenário, a Câmara de Rondonópolis prolonga o impasse político e deixa a composição do parlamento sob forte névoa de incerteza. Enquanto o presidente Paulo César Schuh aguarda a cartada definitiva do Poder Judiciário, a disputa pelos bastidores da vaga e os desdobramentos sobre a sucessão na Casa seguem fervendo a fogo lento nos corredores do poder.
