O escândalo nacional envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro desceu como um raio sobre a cúpula do Congresso Nacional em Brasília, implodindo as defesas e os discursos de moralidade das principais lideranças do centrão. Encurralado pelo avanço das investigações da Polícia Federal e sem saída diante dos fatos, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), capitulou e admitiu publicamente ter pegado uma carona cinematográfica até Lisboa, em Portugal, a bordo do jatinho particular de luxo pertencente a Vorcaro. O parlamentar confessou ainda que o banqueiro, hoje preso e apontado como operador do maior esquema de lavagem de dinheiro do país, pagou todas as despesas de sua hospedagem em hotéis cinco estrelas na Europa.

A confissão bombástica de Hugo Motta joga luz sobre as relações promiscuas e o compadrio que uniam o operador financeiro aos donos do poder na capital federal. De acordo com o próprio presidente da Câmara, o convite para embarcar no voo nababesco partiu diretamente do senador Ciro Nogueira (PP-PI), cacique do Progressistas e padrinho político de Motta, que já havia sido flagrado pela Polícia Federal recebendo sacolas recheadas de dinheiro vivo enviadas pelo banqueiro. O episódio revela que a aeronave de Vorcaro funcionava como uma espécie de “balcão de negócios voador”, onde parlamentares influentes desfrutavam de mimos caríssimos enquanto alinhavam a tramitação de projetos de lei de interesse do Banco Master.

Nos bastidores do Palácio do Planalto e das bancadas partidárias, a admissão da viagem de luxo caiu como uma bomba, deixando a pré-campanha de reeleição de Motta e a estabilidade da articulação política do centrão em frangalhos. A Polícia Federal, que monitorava os deslocamentos e os planos de voo do grupo criminoso, aponta que essa generosidade com jatos e hotéis na Europa não passava de propina disfarçada para comprar o silêncio e a fidelidade da Mesa Diretora da Câmara. A revelação de que o presidente da Casa legislativa aceitou ser paparicado no exterior por um criminoso financeiro destrói a sua blindagem política e dá munição pesada para a oposição exigir explicações formais ao Conselho de Ética.

Enquanto a assessoria jurídica de Hugo Motta tenta desesperadamente criar uma cortina de fumaça, alegando que a viagem teve caráter estritamente pessoal e que ele não sabia da origem ilícita dos recursos, o cerco dos investigadores se fecha de forma implacável. O rastro de facilidades deixado por Daniel Vorcaro em Brasília — que inclui desde o suborno de senadores até o financiamento de jantares nababescos para ex-governadores em Nova York — comprova que o Banco Master mantinha o parlamento sob rédea curta. Com o escândalo ganhando as manchetes internacionais, resta a Motta e ao seu grupo político aguardar o desfecho de um inquérito que promete varrer as principais lideranças do centrão do mapa eleitoral.