O céu de Mato Grosso ficou pequeno para tanta “parceria de anos” nesta quarta-feira (22). Os senadores Wellington Fagundes (PL-MT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fizeram questão de embarcar juntos com destino a Sinop, transformando um simples voo em um outdoor voador da aliança que pretende dominar o estado em 2026. O destino é a Norte Show, mas o objetivo real parece ser demarcar território e deixar claro quem tem a chave do “cofre de votos” da direita, enquanto o governador Otaviano Pivetta observa a movimentação do solo, tentando entender como ficou de fora da escala de voo.

A viagem conjunta não é apenas uma coincidência de agenda, mas um movimento estratégico que vem acompanhado de munição pesada. Em registros recentes, Flávio Bolsonaro não economizou no sarcasmo ao disparar que “Mato Grosso não pode ser governado por quem bate em mulher”, um petardo direcionado sem escalas ao histórico de Pivetta. Wellington, por sua vez, aproveita o vácuo deixado pelo distanciamento de Pivetta do clã Bolsonaro para se consolidar como o herdeiro legítimo do apoio do ex-presidente, posando ao lado do “01” como se já estivesse com as chaves do Palácio Paiaguás no bolso.

Em Sinop, o desembarque da dupla promete ser o prato principal da Norte Show, ofuscando a presença de qualquer autoridade que não esteja alinhada com o “puro-sangue” do PL. A estratégia de Wellington é clara: nacionalizar a disputa estadual e surfar na onda de Flávio, que já opera como pré-candidato ao Planalto. Enquanto isso, o grupo governista tenta digerir a ironia de ver o palanque que ajudaram a construir ser ocupado por quem, agora, parece ter pressa em ver o atual governo pelas costas.