A estratégia do Partido dos Trabalhadores de ressuscitar episódios da vida privada de Otaviano Pivetta para fins eleitorais sofreu um revés direto no campo jurídico. Um juiz determinou que a sigla remova, em prazo exíguo, postagens nas redes sociais que exploravam uma denúncia de suposta agressão contra a ex-esposa do atual vice-governador. O magistrado fundamentou a decisão no fato de que o caso em questão já foi devidamente arquivado pelo Poder Judiciário, tornando a sua “reutilização” em período de campanha uma manobra que distorce a realidade factual para atingir a imagem do adversário, ferindo os limites da liberdade de expressão e da crítica política permitida.
A decisão judicial evidencia a porosidade das fronteiras entre o debate de ideias e o uso de “informações requentadas” como munição de ataque. Ao utilizar um processo encerrado sem condenação para tentar carimbar a pecha de agressor no candidato, o PT esbarrou no entendimento de que a Justiça Eleitoral não pode servir de palanque para a disseminação de contextos incompletos que induzam o eleitor ao erro. A determinação de exclusão das mensagens atua como um freio na tentativa de nacionalizar ou emocionalizar a disputa através de fatos que o próprio Judiciário já considerou superados, expondo a fragilidade de narrativas que dependem do esquecimento do desfecho dos autos para sobreviverem nas redes.
Com a ordem de retirada sob pena de multa, o partido agora se vê forçado a recalibrar o tom de suas peças publicitárias, enquanto Pivetta utiliza a decisão como um escudo técnico para reafirmar a sua idoneidade perante o eleitorado. O episódio marca mais um capítulo da judicialização da campanha em Mato Grosso, onde o passado dos candidatos é vasculhado com lupa pelas assessorias jurídicas rivais, provando que, no tribunal das urnas, a tentativa de usar o arquivo morto como arma política pode acabar se voltando contra quem assina a postagem. O fato é que a “verdade sabida” pela justiça prevaleceu sobre a conveniência do marketing, restabelecendo o rigor que o período eleitoral exige.
