O grupo do ex-governador Mauro Mendes dentro do União Progressista decidiu testar uma estratégia arriscada para as eleições de 2026: ignorar a existência política de Rondonópolis. Ao divulgar a sua lista oficial de pré-candidatos a deputado federal, a legenda “esqueceu” de incluir qualquer nome que represente o município, tratando o terceiro maior colégio eleitoral de Mato Grosso como um mero espectador no banquete das candidaturas. O fato é que a omissão soa como um balde de água gelada nas pretensões de lideranças locais que esperavam o suporte da sigla, revelando que, nos bastidores do partido, o peso das urnas rondonopolitanas parece ter sido rifado em troca de alianças que priorizam outras regiões do estado.

A ausência de representantes da cidade na lista do União Progressista não é apenas um detalhe burocrático, mas um sintoma fato de desprestígio que deve ecoar nas bases eleitorais do município. Enquanto o partido tenta consolidar sua musculatura em nível estadual, a exclusão de nomes de Rondonópolis sugere que o “progresso” prometido pela sigla não passa pelo trevo da cidade, deixando o caminho livre para que outras legendas ocupem o vácuo de representatividade deixado pela falta de visão — ou excesso de pragmatismo — do diretório. O fato é que tentar chegar a Brasília ignorando a força política do sul de Mato Grosso é uma manobra de voo cego que pode custar caro quando o eleitor local cobrar o recibo da representação nas urnas de outubro.

Para os observadores do cenário político rondonopolitano, o recado do partido é claro: a cidade serve para dar votos, mas não necessariamente para ter voz na chapa majoritária de federais. A acidez da realidade política mostra que, sem nomes fortes na disputa, o município corre o risco de ver seus recursos e demandas serem discutidos por quem sequer sabe onde fica o Distrito Industrial, transformando o “esquecimento” do União Progressista em um prejuízo fato para a autonomia política da região. Agora, resta saber se as lideranças locais aceitarão o papel de coadjuvantes ou se haverá uma debandada em busca de siglas que, ao menos, reconheçam a importância de Rondonópolis no mapa geográfico e eleitoral de 2026.