O depoimento do ex-governador Pedro Taques (25) à CPMI do Crime Organizado elevou a temperatura política ao atingir diretamente o gabinete de Mauro Mendes. Segundo as denúncias levadas ao Senado, o governo de Mato Grosso teria firmado um acordo de aproximadamente R$ 308 milhões com a operadora Oi para a devolução de créditos de ICMS. O problema, conforme a acusação de Taques, não seria o acordo em si, mas o destino final do recurso: o montante teria sido direcionado a fundos de investimento administrados pelo Banco Master — como o Royal Capital e o Lotte Word — e, posteriormente, repassado para empresas ligadas a aliados políticos próximos ao governador Mauro Mendes no estado.

Taques utilizou sua fala para descrever o que chamou de um mecanismo de ocultação de recursos, onde os fundos de investimento serviriam como uma “camada de proteção” para dificultar o rastreamento do dinheiro até os beneficiários finais. Para o ex-governador, a operação não foi um erro administrativo isolado, mas uma estratégia coordenada que exigiria a conivência da cúpula do Executivo estadual. Ao apontar que os recursos “chegaram a empresas relacionadas a pessoas do entorno do governo”, Taques transformou uma questão tributária em um suposto esquema de favorecimento político sob o guarda-chuva do Palácio Paiaguás.

A reação no Senado foi de cobrança por transparência absoluta. O senador Wellington Fagundes (PL-MT), embora tenha pedido cautela devido ao calendário eleitoral, não hesitou em classificar as conexões como uma “teia” que precisa ser desmontada. Wellington defendeu que a participação direta ou indireta de Mauro Mendes nesse fluxo financeiro só será esclarecida com a quebra de sigilo bancário de todos os envolvidos, garantindo que as acusações de Taques saiam do campo retórico e encontrem — ou não — lastro nos extratos bancários das empresas citadas.