O cenário político de Mato Grosso transferiu seu centro de gravidade para Brasília nesta segunda-feira (23), transformando aquarta-feria do depoimento de Pedro Taques à CPMI do Crime Organizado em um campo de batalha de narrativas antecipadas. O governador Mauro Mendes (União), embora afirme desconhecer o propósito da ida do ex-governador à capital federal , dedicou parte de sua agenda para rotular o antigo aliado com o apelido de “Pedro Pinóquio”. A estratégia de Mendes foca em desqualificar qualquer revelação futura como uma “grande mentira”, ancorando sua defesa em pareceres do Tribunal de Contas (TCE) e do Ministério Público (MPE) que, segundo ele, já teriam selado a legalidade de seus atos.

Do outro lado, a resposta de Pedro Taques veio carregada de promessas de “abertura de gavetas”. O ex-governador rebateu a suposta ignorância de Mendes sobre suas intenções, afirmando que sua missão na comissão é justamente responder às perguntas que o atual gestor evita. Taques declarou que não levará apenas palavras aos senadores, mas um conjunto que descrevem o funcionamento interno do Palácio Paiaguás. Enquanto Mendes utiliza o termo “desmascarado” para se referir ao adversário , Taques convidou o governador a assistir ao depoimento para entender, de forma rápida, a natureza factual das informações que serão entregues à CPMI.

A movimentação defensiva de Mendes, que insiste na tese da “mentira de perna curta” , colide com a postura de Taques de se apresentar como um colaborador técnico munido de evidências. O governador reiterou que quem acreditou no ex-governador foi enganado, mas o tom de urgência em citar os órgãos de controle antes mesmo da primeira pergunta do relator da CPMI expõe a temperatura dos bastidores. Para Taques, a verdade sobre a gestão atual não é uma questão de opinião, mas de fatos que ele afirma estarem prontos para serem apresentados aos parlamentares.