O embate entre o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), ganhou um novo capítulo carregado de ironia e veneno político. Após o ministro declarar que “trabalha muito” e não tem tempo para assistir aos vídeos de Abilio no TikTok, o prefeito resolveu sugerir onde, exatamente, esse tempo estaria sendo gasto. Para Abilio, o cansaço do ministro deve vir da complexa engenharia das “emendas Pix”, especialmente a de R$ 26,5 milhões destinada ao município de Jangada, que está sob a lupa do Tribunal de Contas do Estado (TCE) por suspeitas de irregularidades.

O “passo a passo” da resposta de Abilio não parou na infraestrutura. O prefeito questionou a lógica — ou a falta dela — na contratação do Instituto Lírios pelo Ministério da Agricultura. Segundo ele, é no mínimo curioso que uma entidade voltada ao acolhimento de mulheres vítimas de violência tenha sido a escolhida para atuar na “Rota da Banana”. Abilio chegou a sugerir, com sarcasmo, que até o MST teria mais expertise técnica em agricultura familiar do que o instituto selecionado por Fávaro, insinuando que o “muito trabalho” do ministro envolve escolhas que desafiam a compreensão técnica básica.

Para fechar o circuito, a briga sobrou até para a família. Ao ser questionado sobre as críticas de Rafaela Fávaro, filha do ministro, o prefeito não perdeu a chance de alfinetar a incoerência doméstica do adversário. Se o ministro despreza as redes sociais, Abilio sugeriu que ele comece a “orientação” por casa, já que sua herdeira política utiliza as mesmas plataformas para atacá-lo. Com o tom devidamente elevado, Abilio deixa claro que, se Fávaro não tem tempo para o TikTok, terá que arrumar tempo para explicar ao TCU e ao TCE por que o dinheiro da agricultura está tomando caminhos tão exóticos.