O que para alguns parece uma estratégia de sobrevivência, para o quartel-general de Otaviano Pivetta (Republicanos) tem contornos de pesadelo político. A insistência de Jayme Campos (União) em manter sua candidatura ao Governo de Mato Grosso está sendo lida por analistas de bastidores não como um “atalho” para Pivetta, mas como o tapete vermelho para a eleição do senador Wellington Fagundes (PL). O cálculo é simples, mas fatal: Jayme no páreo fragmenta os votos, empurra a decisão para o segundo turno e, lá, o “sangue fala mais alto” do que as conveniências do momento.
A preocupação de Pivetta tem raízes profundas, precisamente no ano de 1990. Naquela época, Jayme Campos pavimentava seu caminho rumo ao Governo do Estado, enquanto um jovem Wellington Fagundes buscava sua primeira eleição para deputado federal sob as bênçãos e o apoio de Jayme. Essa aliança de mais de três décadas não é apenas um detalhe biográfico; é um vínculo de lealdade que sobreviveu a inúmeras trocas de governo e que agora ameaça implodir os planos do atual vice-governador.
Para o grupo de Pivetta, o perigo real é que Jayme “bata o pé” na candidatura apenas para garantir que a eleição não se resolva no primeiro turno. Uma vez no segundo turno, o cenário mais provável é que o cacique do União Brasil feche questão com seu aliado de longa data, Wellington Fagundes, consolidando uma vitória que deixaria o grupo governista atual a ver navios. É esse “reencontro de 1990” que faz com que a estratégia de Pivetta agora seja uma só: tentar, a todo custo, impedir que Jayme saia para o Governo e leve consigo as chaves do Palácio Paiaguás para entregar ao velho amigo.
