O ministro André Mendonça, novo relator do explosivo Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), reuniu-se nesta segunda-feira (23) com a cúpula dos investigadores da Polícia Federal para redesenhar a estratégia da apuração. O encontro, que durou mais de duas horas, serviu para que os delegados entregassem um relatório detalhado sobre as suspeitas de fraudes bilionárias que podem chegar a R$ 50 bilhões. A nova postura de Mendonça marca uma guinada de 180 graus em relação à condução de seu antecessor, Dias Toffoli, que deixou o caso após ser “emparedado” por indícios de conflito de interesses.

A reunião consolidou a autonomia dos peritos da PF, que agora terão acesso livre aos 52 celulares apreendidos, sem as amarras impostas pela gestão anterior. Mendonça, em um movimento que misturou rigor técnico e prudência política, também elevou o grau de sigilo do inquérito e proibiu que até mesmo a alta cúpula da Polícia Federal — incluindo o diretor-geral Andrei Rodrigues — tenha acesso aos detalhes sensíveis das descobertas. O recado é claro: a investigação deve seguir de forma técnica, protegida de vazamentos seletivos ou interferências hierárquicas.

A saída “por livre e espontânea pressão” de Dias Toffoli ainda ecoa nos bastidores de Brasília. O ministro abriu mão da relatoria após a PF revelar mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, citando supostas transações financeiras e ligações societárias envolvendo um resort no Paraná. Com o processo sob nova direção, a expectativa é de que o Caso Master deixe de ser um “arquivo morto” para se tornar uma das maiores operações contra crimes financeiros e corrupção sistêmica no coração do mercado de capitais brasileiro.