O governador Mauro Mendes (União) caminha por um tapete vermelho de aprovação popular, mas os bastidores da política mato-grossense começam a soprar um vento frio que remete a 2006. Naquele ano, enquanto Blairo Maggi atropelava como um trator e vencia o governo no primeiro turno, o gigante Dante de Oliveira — o “pai das Diretas Já” e então dono de uma gestão bem avaliada — sofria uma derrota histórica para o Senado. O “Efeito Dante” prova que o eleitor sabe separar muito bem quem ele quer cuidando da chave do cofre estadual de quem ele deseja enviando ordens de Brasília. Mendes, ao que parece, corre o risco de descobrir que popularidade no comando não é salvo-conduto para o Legislativo.
O sinal de alerta no quartel-general de Mauro não acendeu por acaso. De um lado, a deputada Janaina Riva (MDB) experimenta um crescimento exponencial, ocupando espaços com uma capilaridade que assusta até os aliados mais otimistas do governador. Do outro, o campo bolsonarista resolveu parar de bater cabeça e se uniu em torno de um nome único: José Medeiros. Se Medeiros já era uma pedra no sapato pela sua facilidade de comunicação nas redes e identificação direta com a direita raiz, a entrada de Odílio Balbinotti na chapa como suplente de peso elevou o jogo para outro patamar.
A chegada de Balbinotti não traz apenas recursos; traz o “selo do agro” e uma estrutura capaz de fazer Medeiros ser visto — e ouvido — em cada canto do interior do estado, onde o setor produtivo dita o ritmo da economia e do voto. Com Medeiros “ganhando o campo” e Janaina surfando no carisma e na força do MDB, o favoritismo de Mauro Mendes começa a ser testado pelo mundo real. No xadrez político, Mendes pode até estar bem na foto como governador, mas o fantasma de Dante de Oliveira está logo ali na esquina, lembrando que, no Senado, o tombo dos gigantes costuma ser muito mais barulhento.
