Sinop parece ter virado um imenso depósito de cadáveres e o “serviço” do crime organizado não para. Nesta segunda-feira (19), a localização de um corpo em avançado estado de decomposição na região de chácaras do bairro Vila Mariana marcou uma estatística macabra: é o quarto corpo encontrado em apenas 15 dias na cidade. O clima é de guerra declarada e o cheiro de morte que emana das áreas de mata é o cartão de visitas das facções que disputam o controle do tráfico de drogas a qualquer custo. Quem “tropeçou” nos restos mortais hoje cedo deu de cara com a realidade cortante de um município que está sob o domínio da pólvora e do sangue.

A Polícia Civil e a Politec, que já estão em ritmo industrial de trabalho, isolaram o local, mas o mistério sobre a identidade da vítima só reforça a tática do terror: matar e descartar na mata para deixar o recado. O cenário é de um “açougue” clandestino alimentado pela disputa de território, onde o estado de decomposição do cadáver sugere que a execução foi apenas mais um capítulo de uma limpeza étnica do crime iniciada nos últimos dias. Enquanto o IML recolhe os restos de mais esse “CPF cancelado”, a população de Sinop assiste, acuada, a uma guerra de drogas que transformou a periferia em um cemitério improvisado e sem fim à vista.
