O sonho de milhares de servidores públicos de Mato Grosso de recuperar as perdas salariais do período da pandemia acaba de sofrer um golpe de realidade vindo de dentro da própria base parlamentar que discute o tema. O deputado estadual Paulo Araújo, conhecido por transitar entre as demandas do funcionalismo e a realidade da Casa de Leis, admitiu abertamente que o projeto para o pagamento do RGA (Revisão Geral Anual) retroativo à época da Covid-19 não deve prosperar na Assembleia Legislativa. O parlamentar reconheceu que a articulação política do Governo do Estado é um muro intransponível e que a base aliada de Mauro Mendes está blindada contra qualquer tentativa de votação favorável à pauta.

O recado de Paulo Araújo é cortante para quem esperava uma reviravolta nas contas: a conta não fecha no plenário. Segundo o deputado, a oposição e os defensores da medida não dispõem dos votos necessários para vencer a resistência do Palácio Paiaguás, que mantém o “serviço” de controle fiscal com mão de ferro. A trama em torno do RGA da Covid se tornou um cabo de guerra onde o governo alega impedimentos legais e orçamentários, enquanto os sindicatos veem uma injustiça histórica com quem não parou de trabalhar nos momentos mais críticos da crise sanitária.

Nesta sexta-feira (16), o clima entre as categorias do funcionalismo é de frustração. Com a admissão sincera de Paulo Araújo, a estratégia de pressão sobre os deputados parece ter perdido o fôlego diante da frieza dos números na Assembleia. Enquanto o governo celebra o equilíbrio das contas públicas, os servidores amargam a perspectiva de ver o projeto ser arquivado sem grandes resistências. O cenário político desenhado para os próximos meses indica que, sem uma mudança radical na correlação de forças, o RGA da pandemia continuará sendo apenas uma promessa de palanque, enterrada pela maioria governista sob o olhar atento do Executivo.