Enquanto muita gente ainda está a contar as moedas para pagar o peru de Natal, Rondonópolis resolveu brincar de banco imobiliário com valores que fariam qualquer mortal perder o fôlego. O grande destaque deste ciclo de “vacas gordas” é a chegada da Inpasa, que decidiu despejar nada menos que 2,77 bilhões de reais para erguer uma biorrefinaria de etanol de grãos, transformando o solo local numa verdadeira mina de ouro biológica. Essa parceria, que é vendida como o maior investimento da história do município, mostra que a cidade não está para brincadeira e quer garantir que o cheiro do progresso seja, na verdade, o cheiro do lucro pesado. O movimento de expansão não parou por aí e a Sala do Empreendedor, em parceria com o Sebrae, virou um verdadeiro formigueiro humano com mais de 9.500 atendimentos, provando que até o pequeno negociante resolveu entrar na dança para tentar garantir a sua fatia desse bolo bilionário.

A ambição local rompeu fronteiras e atravessou o oceano, trazendo comitivas de gigantes chineses como o Haid Group e o Grupo EPPEN, que desembarcaram na região com os olhos brilhando diante das oportunidades de logística e agronegócio. A prefeitura, que parece ter montado um balcão de negócios internacional, ainda costurou acordos com a Sudeco e com a agência Desenvolve MT para garantir que o crédito flua mais rápido que a água do Rio Vermelho, facilitando a vida de quem quer investir, mas precisa daquela “mãozinha” estatal. Entre um mutirão de serviços para o trabalhador e a participação em eventos de peso como a Exposul e o Liquidaqui, a gestão municipal tenta passar a imagem de que o ambiente de negócios é um campo fértil, onde até o tradicional Casario Municipal entrou na jogada como palco de eventos, mostrando que a ordem é fazer dinheiro a qualquer custo.

No campo da zeladoria e da infraestrutura, o governo resolveu dar um tapa no visual de espaços comerciais icônicos, como a Praça Brasil e a Praça dos Carreiros, além de atualizar o inventário dos lotes industriais para que nenhum palmo de terra fique ocioso. Segundo o secretário Wesley Lopes, sob a batuta articulada do prefeito Cláudio Ferreira, o planejamento técnico está tão afinado que os resultados são considerados inevitáveis para quem ostenta um PIB superior a 16,5 bilhões de reais. Com o status de segunda maior economia do estado consolidado, a cidade se vende como o polo logístico definitivo, onde o emprego e a renda parecem brotar da terra junto com a soja. No final das contas, o recado que fica é que Rondonópolis se tornou o lugar certo para quem tem bala na agulha, deixando claro que, na guerra dos números, o município não aceita ser apenas um figurante no banquete agroindustrial mato-grossense.