A relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o Banco Master — recentemente liquidado pelo Banco Central (BC) — tornou-se o centro de uma crise que mistura esferas institucionais, éticas e políticas. O caso, que ganhou corpo nas últimas 24 horas, coloca em xeque a fronteira entre a atuação pública de magistrados e interesses privados de grande monta.

Reportagens publicadas nesta semana indicam que o ministro teria mantido diálogos frequentes com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O objetivo central seria interceder em favor do Banco Master, especificamente para agilizar a aprovação da venda da instituição para o Banco Regional de Brasília (BRB).

Moraes teria manifestado apreço pelo dono do Master, Daniel Vorcaro, e argumentado que a instituição estaria sofrendo resistência por “tomar espaço de bancos maiores”. Galípolo, contudo, manteve a postura técnica, informando ao ministro que indícios de fraudes bilionárias inviabilizariam qualquer operação de venda, o que culminou na liquidação extrajudicial da instituição em novembro.

Paralelamente à pressão política, surgiram detalhes sobre a relação comercial entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Documentos localizados pela Polícia Federal apontam um contrato de consultoria jurídica no valor total de R$ 129 milhões, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões previstos até 2027.

Embora não haja, até o momento, comprovação de que o escritório tenha atuado em processos diretos no STF vinculados ao banco, a magnitude das cifras e a coincidência de interesses levantam debates sobre conflito de interesses e o uso de influência em órgãos como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e o próprio Banco Central.

No Congresso, a reação foi imediata. Senadores já iniciaram a coleta de assinaturas para investigar os termos da contratação e a possível interferência de Moraes em decisões do Executivo. No STF, o clima é de um “silêncio barulhento”, enquanto ministros como Gilmar Mendes saem em defesa da honra e da atuação institucional de Moraes, classificando as críticas como tentativas de desestabilização.

O episódio “Pontua” um momento crítico para a credibilidade da Suprema Corte: a necessidade de transparência total para dissociar a figura do julgador das atividades econômicas de seus familiares, especialmente em casos que envolvem fraudes massivas contra o sistema financeiro nacional.