O Tribunal do Júri da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande foi suspenso nesta quarta-feira (3) após a defesa de dois ex-policiais militares acusados de homicídio qualificado abandonar o plenário. O juiz Pierro de Faria Mendes classificou a ausência dos defensores como “falta grave” e impôs uma multa de R$ 90 mil (30 salários mínimos) para cada um dos advogados.

O julgamento visava julgar os ex-PMs Célio Alves de Souza e José de Barros Costa pelo assassinato de Maria Ângela da Silva, ocorrido em 2001. A sessão estava pronta, com 36 jurados, réus e testemunhas aguardando.

  • Conduta Irregular: Um dos advogados apresentou renúncia minutos antes do julgamento sem notificar o réu, e o outro alegou problemas de saúde com um atestado genérico e insuficiente.
  • Penalidade: O juiz considerou a atitude grave, violando o Código de Processo Penal. Além da multa, o magistrado determinou a comunicação da conduta à OAB-MT e ao Tribunal de Ética e Disciplina para que sejam tomadas as providências cabíveis.

O júri foi remarcado para 29 de janeiro de 2026, às 9h.

Segundo a acusação do Ministério Público Estadual (MPE), Maria Ângela da Silva, conhecida como ‘Lorrayne’, foi morta por se recusar a abortar o filho que esperava do ex-cabo da PM Hércules de Araújo Agostinho.

Hércules, que usava a vítima para vender drogas e queria ter um filho com ela, ordenou a execução quando ela engravidou e se recusou a abortar. Maria Ângela foi morta com vários tiros na cabeça após ser abordada na rua.

Hércules de Araújo Agostinho já foi condenado a uma pena que ultrapassa 200 anos de prisão, incluindo a sentença pela morte do jornalista Sávio Brandão.