O sistema penitenciário de Mato Grosso amanheceu sob tensão absoluta nesta segunda-feira (24). Após um final de semana marcado pelo sangue de dois servidores da segurança pública, o Sindicato dos Servidores Penitenciários (Sindspen-MT) decidiu suspender, por tempo indeterminado, as visitas na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, a maior unidade prisional de Mato Grosso. A medida é uma resposta direta e revoltada à execução de dois policiais penais em um intervalo de menos de 72 horas, criando um clima de “caça à farda” no estado.
O primeiro caso que chocou a corporação ocorreu em Várzea Grande, onde o policial penal José Arlindo da Cunha, de 55 anos, foi perseguido e morto a tiros com a própria arma após uma discussão em uma festa. O suspeito do crime também acabou morto. Enquanto a categoria ainda absorvia o golpe, outro policial penal foi encontrado morto a poucos metros de sua casa em Sinop, no Norte do estado, em circunstâncias que a Polícia Civil ainda investiga, mas que reforçam a sensação de vulnerabilidade dos agentes fora do horário de serviço. A diretoria do Sindspen classificou a situação como insustentável e cobra do Governo do Estado e da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) medidas enérgicas para proteger a vida dos agentes, insinuando que, se a segurança não for garantida nas ruas, o controle dentro dos muros dos presídios também endurecerá. A suspensão das visitas na PCE é apenas o primeiro ato de um protesto que promete paralisar o sistema se a resposta contra a criminalidade não for à altura.
