A deputada estadual Janaina Riva (MDB), a parlamentar mais votada de Mato Grosso, registrou um boletim de ocorrência (BO) na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, em Cuiabá, após ser alvo de áudios de teor sexual, ofensivo e misógino gravados por um servidor comissionado da Prefeitura de Rondonópolis.

Em resposta imediata, a Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (CODER) exonerou o servidor Deliandson Milton da Silva, de 41 anos, na manhã desta sexta-feira (7).

De acordo com o registro policial, o servidor debochava da parlamentar e utilizava expressões de cunho sexual para se referir a ela no áudio, que foi amplamente replicado em grupos de WhatsApp. A deputada relatou no BO que o conteúdo lhe causou profundo constrangimento e abalo moral.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Janaina Riva classificou o episódio como desrespeitoso e misógino, afirmando que o caso ultrapassa o ataque pessoal.

“Não é uma opção para nós, mulheres, não denunciar esse tipo de agressão, até porque passamos por isso justamente por sermos mulheres… Eu não tenho coragem de colocar aqui para vocês o teor dos áudios que foram feitos contra mim… Eu não estou apenas registrando a denúncia, estou fazendo um apelo, e vou buscar justiça junto ao Ministério Público,” declarou a deputada.

Ela lamentou que, em um estado que lidera os índices de violência contra a mulher e estupro, ser mulher na política ainda seja um desafio diário, onde ataques tentam silenciá-las.

  • CODER: Em nota, a estatal manifestou repúdio à conduta, afirmando que a atitude contraria os princípios da Administração Pública. “O servidor mencionado, ocupante de cargo comissionado na estrutura da CODER, foi imediatamente desligado de suas funções assim que os fatos chegaram ao conhecimento desta Presidência.”
  • Apoio Político: O senador Wellington Fagundes (PL) e o MDB emitiram notas de solidariedade. O senador classificou os ataques como “inadmissível injúria e desrespeito”, e o MDB repudiou a “violência política de gênero” contra a deputada.

O caso foi enquadrado no Código Penal como importunação sexual e injúria, e a Polícia Civil deve prosseguir com as medidas legais.

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