A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), deflagrou nesta terça-feira (11) a Operação Domínio Fantasma, visando desarticular um esquema criminoso milionário de fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro em Mato Grosso. O alvo principal é um contador que se apresentava como “especialista digital” em redes sociais.
O contador é apontado como o mentor do esquema de criação de empresas de fachada para lavar o dinheiro ilícito obtido com golpes aplicados em sites falsos de vendas.
O Esquema da Fraude
As investigações revelaram que o contador se promovia no Instagram como um especialista em dropshipping (venda sem estoque próprio) e iGaming (jogos de azar online). Ele utilizava jovens de baixa renda de outros estados, os chamados “laranjas”, para abrir CNPJs que serviam de base para:
- Criação de Sites Falsos: Montagem de plataformas de venda de produtos (brinquedos, roupas) que nunca eram entregues.
- Clonagem de Marcas: Chegou a clonar o site de uma marca famosa no ramo de cosméticos para atrair vítimas.
As vítimas, de todo o país, compravam os produtos e pagavam via Pix ou cartão, mas nunca recebiam a mercadoria, gerando inúmeras reclamações em sites como o Reclame Aqui.
A Teia das Empresas de Fachada
O investigado abriu impressionantes 310 empresas entre 2020 e 2024. A Polícia Civil identificou que um único endereço em Cuiabá servia como sede para diversas dessas empresas, tratando-se, na verdade, de uma sala comercial sem identificação.
Medidas Judiciais
A Justiça, através do Núcleo de Justiça 4.0, expediu 33 ordens judiciais, incluindo:
- Prisão Preventiva contra o mentor do esquema (o contador).
- Sequestro de Valores: Bloqueio de R$ 5 milhões e sequestro de dois imóveis e cinco veículos de luxo.
- Suspensão: Suspensão de perfis em redes sociais, sites de vendas e atividades econômicas das empresas.
O contador responderá pelos crimes de associação criminosa, fraudes eletrônicas, lavagem de dinheiro e crime contra a relação de consumo.
