A Receita Federal e a Polícia Federal, em parceria com a ANP e o Ministério da Agricultura, deflagraram a Operação Alquimia com o objetivo de identificar a origem do metanol utilizado na fabricação clandestina de bebidas alcoólicas adulteradas. A ação, motivada pelo recente surto de intoxicação no país, atinge Mato Grosso e outros quatro estados.

A operação é um desdobramento das ações Boyle e Carbono Oculto, que já investigavam o desvio do metanol—um produto altamente tóxico—para a adulteração de combustíveis. As novas investigações indicam que o mesmo produto químico estaria sendo desviado para a produção de bebidas falsificadas, o que representa um grave risco à saúde pública.

As equipes estão realizando coletas de amostras em 24 empresas localizadas em 21 municípios, incluindo o estado de Mato Grosso (Várzea Grande), Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

A Operação Alquimia rastreia toda a cadeia de circulação do metanol, desde a importação, passando por terminais marítimos, indústrias químicas, destilarias e usinas, até o uso ilegal em bebidas.

A Receita Federal informou que as investigações anteriores já revelaram notas fiscais fraudulentas e caminhões inexistentes, o que reforça a suspeita de desvio de carga e fraude documental.

O uso de metanol em bebidas é terminantemente proibido. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que concentrações superiores a 0,1% podem causar cegueira, insuficiência respiratória e até a morte. A ingestão de combustíveis ou componentes industriais é extremamente perigosa.

As amostras coletadas serão submetidas a análises laboratoriais para comparar a composição química do metanol apreendido com o encontrado nas bebidas falsificadas. A operação segue em andamento, visando desmantelar o esquema e proteger a saúde pública.