Em um cenário de angústia e esperança, as buscas por um adolescente de 13 anos afogado no Rio Vermelho, em Rondonópolis, chegam ao quarto dia desde o acidente e o terceiro dia de operações intensivas. O Capitão Roberto, do 3º Batalhão do Corpo de Bombeiros, concedeu entrevista ao urgeMTe, detalhando os esforços e as novas estratégias adotadas para localizar a vítima.

As equipes de busca, que incluem muitos pescadores e voluntários, têm percorrido o rio incansavelmente. No entanto, conforme explicou o militar, após dois dias de descidas e subidas no rio sem sucesso, e considerando que o corpo já está submerso há mais de 72 horas, a estratégia foi alterada.

“Teoricamente, ele já deveria ter emergido, e nós já teríamos encontrado ele, pois há muitas pessoas na água procurando, muitos pescadores”, afirmou o Capitão.

A nova teoria é que o corpo possa estar “enganchado” em algum ponto do rio. Para resolver essa questão, uma equipe especializada de binômio, composta por um tratador e seu cão farejador, foi acionada.

“Essa dupla, na verdade, são dois cães com dois tratadores, vieram de Barra do Garças, do Comando Regional 4, em apoio”, explicou Roberto. A missão desses cães é sentir o odor específico de restos mortais humanos, o que ajudará a equipe a mergulhar diretamente no local indicado.

O Capitão Roberto mencionou que a cadela Mel, conhecida por seu trabalho em Jaciara, está se aposentando após a operação no Rio Grande do Sul e não pode mais atuar. Por isso, a necessidade de recorrer a outros recursos, como a dupla do CR4.

Com a vasta experiência em resgates, o Capitão ressaltou que, passadas 96 horas do afogamento, a lógica seria que o corpo já estivesse visível na superfície, facilitando a localização tanto visualmente quanto pelo odor. Contudo, a ineficácia das buscas de ontem levou à mudança de tática.

“Vamos verificar nas curvas, onde há o odor, e ela [a cadela] não confunde cheiro de animal com peixe, com o do ser humano. Ela vai sentir o odor específico do ser humano e vai avisar pra gente onde ela sentir esse odor”, detalhou.

Desde o início das buscas, as equipes percorreram uma distância considerável, abrangendo a área entre o ponto do afogamento e a região conhecida como Volta Grande, próximo ao Miau.

O Capitão estima que a área total de busca atual, considerando as ondulações do rio, está em torno de 40 quilômetros.

“Faremos primeiro essa parte aqui e, depois que descaracterizarmos essa parte, buscaremos um pouco mais abaixo”, concluiu, reforçando o empenho do Corpo de Bombeiros em localizar o adolescente.