O rastro de insegurança e os recentes episódios de violência extrema que romperam a tranquilidade nas propriedades rurais de Rondonópolis forçaram uma forte articulação de bastidores entre o agronegócio e as forças de segurança do estado. Em uma reunião de alta fervura realizada na tarde desta terça-feira (7), a diretoria do Sindicato dos Produtores Rurais abriu as portas da entidade para um comitê estratégico com a cúpula do 4º Comando Regional da Polícia Militar de Mato Grosso (PM-MT) e um grupo de pecuaristas associados. A pauta cirúrgica exigiu cobranças severas por mais policiamento e um pente-fino no modus operandi da Patrulha Rural, desenhado para estancar o rastro de roubos de gado, maquinários e invasões a propriedades.

A engenharia do encontro funcionou como uma espécie de prestação de contas e canal direto de pressão por parte dos produtores, que relataram um desarranjo na sensação de segurança em algumas regiões específicas do município. O pecuarista Ricardo Lima Carvalho, uma das vozes mais contundentes na reunião, jogou na mesa o rastro de crimes recentes e citou nominalmente um assassinato violento que chocou a comunidade na região da Carimã. A cobrança encontrou eco imediato na nova liderança da Força Tática, que agora assume também as rédeas da patrulha rural, comprometendo-se a criar uma cortina de proteção técnica em torno das famílias e dos trabalhadores do campo que sustentam o PIB da região sul.

O comandante do 4º CR, coronel Fernando Francisco Turbino dos Santos, absorveu as demandas com cautela técnica e garantiu que o serviço de inteligência da PM já levantou as informações sobre as últimas ocorrências para dar uma resposta rápida e pedagógica aos criminosos. O oficial pontuou que a parceria viva com o Sindicato Rural já dura mais de cinco anos com resultados positivos, mas admitiu que o racha provocado por novas quadrilhas exige um realinhamento tático nas estradas vicinais. Para o presidente do Sindicato, Beto Torremocha, o saldo do debate foi altamente satisfatório e um segundo comitê já está sendo desenhado para aproximar ainda mais os fazendeiros do interior das estratégias operacionais da polícia.

Com os ânimos apaziguados e os canais de comunicação restabelecidos, os produtores rurais se prontificaram a auxiliar a PM-MT na logística e no fornecimento de dados para mapear as rotas de fuga dos assaltantes. O objetivo do comitê central do agronegócio rondonopolitano é garantir que as viaturas pesadas da Patrulha Rural mantenham um rastro de presença constante e ostensiva nas fazendas, provando que o interior de Rondonópolis não se transformará em terra sem lei para o crime organizado.