O clima de aparente calmaria na base governista de Mato Grosso evaporou de vez, dando lugar a uma movimentação de bastidores que promete criar um rastro de novos e severos problemas eleitorais para o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos). O estopim da crise ocorreu no plenário da Assembleia Legislativa (ALMT), onde o presidente da Casa, deputado Max Russi (PSB), detectou um “jabuti” — jargão político para uma matéria estranha inserida sorrateiramente em um projeto de lei — enviado pelo Palácio Paiaguás. Ao derrubar a manobra e mandar um recado duro e direto ao Executivo, Russi não apenas fincou o pé em defesa da autonomia do Legislativo, mas também sinalizou um forte alinhamento político que pode empurrar o PSB diretamente para o palanque do senador Jayme Campos (União Brasil).
A reação enérgica de Max Russi foi vista por analistas em Cuiabá e Rondonópolis como o prenúncio de um isolamento político para Otaviano Pivetta, que tenta viabilizar seu nome como o sucessor natural do grupo governista. O “jabuti” plantado pelo governo tentava retirar da Assembleia Legislativa a prerrogativa de sabatinar e aprovar os nomes dos diretores de agências reguladoras do estado, uma tentativa de esvaziamento de poder que irritou profundamente os parlamentares. Ao liderar a resistência e desidratar o projeto do Executivo, o presidente da ALMT mandou um aviso claro de que o parlamento não aceitará cabrestos, expondo a fragilidade na articulação política do Paiaguás sob o olhar atento da oposição.
O rastro desse embate institucional, contudo, ganha contornos muito mais perigosos no plano puramente eleitoral. Nos corredores do parlamento, o comentário geral é de que o azedamento das relações entre Max Russi e o núcleo duro do governo funciona como o pretexto perfeito para consolidar uma aliança com Jayme Campos, que segue angariando convencionais e peitando as antigas lideranças do estado. Se o grupo liderado pelo presidente da ALMT fechar formalmente com o cacique do União Brasil, as pretensões majoritárias de Pivetta sofrerão um baque histórico, perdendo o apoio da máquina legislativa e de dezenas de prefeitos do interior que orbitam ao redor de Russi.
A postura combativa do chefe do Legislativo injetou um combustível valioso na pré-candidatura de Jayme Campos, mostrando que o senador possui aliados de peso prontos para implodir os planos do comitê central governista. Enquanto os estrategistas do Palácio tentam recolher os cacos da votação e restabelecer pontes com a mesa diretora, as legendas aliadas já recalculam o xadrez para a disputa pelo Governo do Estado. Sem espaço para panos quentes, o racha escancarado na ALMT prova que Pivetta está sob severo xeque e que a marcha de Jayme rumo ao Paiaguás ganha musculatura a cada tropeço da articulação do atual governo.
