A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (União), deu uma demonstração de que governar vai muito além de olhar apenas para planilhas frias e asfalto. Ao discordar publicamente da intenção do governador em exercício, Otaviano Pivetta, de restringir repasses para eventos e shows, Flávia tocou em um ponto que a tecnocracia do Palácio Paiaguás insiste em ignorar: o povo também tem direito à alegria. Para a gestora, a existência de problemas estruturais, que ela luta diariamente para resolver, não pode servir de desculpa para transformar a cidade em um deserto cultural, privando o cidadão do seu sagrado direito ao entretenimento e ao convívio social.

Flávia Moretti foi precisa ao argumentar que o lazer não é um “gasto”, mas sim um investimento na dignidade humana e na economia local. Enquanto Pivetta tenta emplacar uma austeridade que soa como música para os ouvidos de quem já tem tudo, a prefeita defende aqueles que esperam pelos eventos para garantir uma renda extra — desde o vendedor de espetinho até o comércio de roupas e serviços. Para a prefeita, garantir um show na praça é também garantir o giro financeiro que sustenta muitas famílias várzea-grandenses, algo que a visão limitada de um governo de gabinete dificilmente consegue enxergar por trás de suas tesouras de cortes.

Ao se posicionar contra a maré do governo estadual, Flávia Moretti reafirma seu compromisso com uma gestão humanizada. Ela entende que uma cidade se constrói com infraestrutura, mas se mantém viva com o sorriso e a autoestima de sua gente. Em vez de aceitar o silêncio imposto pela falta de verbas, a prefeita levanta a voz para garantir que a cultura continue sendo um refúgio e uma fonte de esperança para a população. No fim das contas, a postura de Flávia mostra que é possível, sim, cuidar das contas públicas sem esquecer que, por trás de cada problema da cidade, existe um cidadão que merece um momento de lazer e felicidade.