O governador Otaviano Pivetta acendeu o pavio de uma crise institucional na Polícia Militar de Mato Grosso ao confirmar a nomeação e permanência de uma sargento em um cargo de confiança dentro da Casa Militar. A medida, classificada por críticos e especialistas como um “atropelo” à hierarquia militar, coloca uma sargento em posição de comando técnico que, na prática, pode resultar em ordens diretas a oficiais de patente superior, ferindo o princípio fundamental da disciplina que rege as forças de segurança.

Ao ser questionado sobre o descontentamento da categoria e as notas de repúdio emitidas por entidades como a Associação dos Oficiais (Assof-MT), Pivetta foi enfático ao declarar que “faz escolhas” e que não recuará da decisão. Para os representantes dos oficiais, a postura do Executivo estadual abre um precedente perigoso para a insubordinação, uma vez que a estrutura militar é rigidamente piramidal e não comporta a inversão de papéis onde o subordinado hierárquico detém autoridade sobre seus superiores em funções administrativas ou operacionais de governo.

O embate jurídico e político agora ganha novos capítulos, com a Assof apontando que a nomeação desrespeita o Estatuto dos Militares e o próprio regulamento interno da Casa Militar. Enquanto o governador sustenta que a escolha é baseada em critérios de confiança pessoal, dentro dos quartéis o clima é de incerteza, com lideranças alertando que a “inovação” de Pivetta pode desestabilizar a cadeia de comando da Polícia Militar em todo o estado de Mato Grosso.