A ousadia criminosa em Mato Grosso ganhou um novo capítulo de desrespeito institucional após uma mulher, detida por assalto a uma farmácia, decidir que o melhor lugar para celebrar o crime era no ambiente digital. Com a frase “157 não dá nada”, a suspeita utilizou o deboche como escudo, tentando transformar a audiência de custódia em um palco de entretenimento onde a lei é tratada como um detalhe insignificante. O episódio expõe a face mais ácida da sensação de impunidade, onde o registro policial é exibido como um troféu de “resistência” e o trabalho das forças de segurança é alvo de riso, revelando uma convicção factual de que o sistema de justiça é incapaz de manter atrás das grades quem faz do patrimônio alheio o seu ganha-pão.

O descaramento da publicação, que rapidamente viralizou, serve como um retrato fiel de uma inversão de valores onde o criminoso se sente à vontade para ridicularizar o Estado. Ao “tirar onda” com a tipificação do roubo no Código Penal, a mulher ignora que a realidade do sistema prisional costuma apagar o brilho das postagens de internet com a mesma rapidez com que o portão da cela se fecha. O fato é que a tentativa de fazer “humor” com a insegurança pública é, na verdade, uma confissão de culpa embalada em arrogância, forçando uma resposta imediata das autoridades para provar que a legislação não é apenas um texto decorativo para ser ignorado entre uma selfie e outra no corredor do fórum.

Para a Polícia Civil, o comportamento da suspeita é mais um dado estatístico da audácia de quem acredita que a porta giratória da justiça garantirá o retorno imediato às ruas. O deboche, no entanto, pode custar caro no momento em que o magistrado avaliar a periculosidade e o total desrespeito à ordem pública demonstrados pela “influenciadora do crime”. A lição factual que fica é que, enquanto a suspeita comemora a suposta ineficácia da lei, a sociedade assiste atônita ao desmonte da liturgia do medo, onde o suspeito não apenas não se esconde, como faz questão de postar a geolocalização de sua própria insolência.